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PLACA NA ESTRADA DE CONCEIÇÃO DA BOA VISTA NAS PROXIMIDADES DO COLINA CLUBE

PLACA  NA ESTRADA DE CONCEIÇÃO DA BOA VISTA NAS PROXIMIDADES DO COLINA CLUBE

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DE RECREIO: inaugurada em 1874 ou 1875?

No livro As Ferrovias em Minas Gerais, de Arysbure Batista Eleutério, Dermeval José Pimenta e Hugo Caramuru, publicação do SESC, um trecho interessante sobre a data da inauguração da Estação Ferroviária de Recreio: 1874 ou 1875?

"A primeira ferrovia a pôr os trilhos no Estado mineiro foi a E. F. D. Pedro II (depois, Central do Brasil), inaugurando a Estação de Chiador, com a presença de Sua Majestade D. Pedro II, em 27 de junho de 1869, no ramal de Três Rios (RJ) a Porto Novo (MG) – então na bitola de 1,60m.

A segunda em Minas foi a E. F. Leopoldina, que inaugurou em outubro de 1874 as Estações de Antônio Carlos (hoje Fernando Lobo), Pântano e Conceição (depois Macabu e hoje Volta Grande), sendo que neste mesmo ano já tinham sido inaugurados o trecho de Recreio a Vista Alegre e o ramal de Leopoldina (daí o nome de ferrovia)".

Questionamentos: o trecho de Recreio poderia ter sido inaugurado sem que a estação estivesse pronta. Ou se o trecho foi inaugurado é porque a estação já estava funcionando.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

FOTOGRAFIAS ANTIGAS DE RECREIO















FONTE: Anuário Estatístico do IBGE de 1955.

HELOISA LACERDA BOTELHO: Rainha do Ginásio de Recreio

Em 1968 foi eleita Rainha do Ginásio de Recreio a jovem Heloisa Lacerda Botelho, filha do casal Hélio Ferreira Botelho e Jaline Lacerda Botelho. Na época cursava a 3ª série ginasial. Com o Golpe Militar de l964 foram fechados os Grêmios Estudantis e tentaram instituir o Centro Cívico com normas impostas o que, felizmente, não deu certo. Impuseram o programa de Educação Moral e Cívica. O movimento estudantil esvaziou. E a escola perdeu seu encanto virando um espaço que só tinha lugar para as aulas. Ideologia da época: estudante não tem que se preocupar com política. Hoje nas escolas do Estado do Rio de Janeiro existem os Grêmios Estudantis eleitos pelos estudantes e que realizam atividades culturais, esportivas e de lazer, dentre outras.

Fotografia do acervo do O JORNAL DE RECREIO.


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

IV FESTIVAL DA POESIA DE RECREIO: setembro de 1971

AS DEZ VENCEDORAS

1º LUGAR:

RUA OU AVENIDA
(Violante Maria Fonseca)

Por onde voa?
Pela avenida ou tomo a rua da direita
que leva sempre a um só lugar?
- ela é mais certa e mais curta
do que as ruas que eu quis fazer.
Dá na escada baixa, sem degraus...
Quem sabe ela não soube se entristecer
e então ficou em si mesma esperando
alguém que não queria parar
no tempo da espera.
Alguém que não chore porque só enfeitou de amor,
e, canta um tom e um destom, da vida andante.

Se não faço isto, sigo sem um rumo,
tudo que é grande é ao mesmo tempo frio.
Deixa longe a possibilidade de esbarros.
E esbarrar é bom porque é contato
nas coisas que se quiz e não conseguiu.
Esbarrar no braço do abraço que passou.
Nos olhos o espanto e amor se encontrarem.
Cingir os corpos no contato mudo,
que fala tanto quanto os passarinhos.

Na avenida:
a vida passa sem esbarros
Na rua:
a gente esbarra na vida.

2º LUGAR:

TRIBUTO A UMA VIDA MORTA
(Jorge Luis Padilha Lopes)

Era finados, fêz dia claro, e aquele ano se passou.
Se passou, porque mais uma vez eu levava flôres e velas.
Flôres e velas, ´para enfeitar o túmulo daquela que morreu
pela minha vida.
Daquela que se entregou em pó ao chão depois de
não ter sentido o pêso da terra fria que eu esmaguei com os pés.
Daquela que não viveu, e sim trocou sua vida por uma vida que nada valeu.
Morreu sentindo a dor de uma vida que depois de
vivida por mim, agradeço com flôres e velas.
Flôres, das quais o aroma jamais perfumará seu corpo.
Velas, as quais nunca iluminarão seus caminhos.

3º LUGAR:

QUERO
(David Lacerda Germello)

Quero ver nascer
o sol, a flôr
quero a paz
quero o amor,
a paz do mundo
o amor profundo
Quero ter um sonho
não de ilusão
Ver a paz
e o amor perfeito.

Nasceu o sol,
nasceu a flor,
não veio a paz,
mas veio o amor
não tão perfeito
não tão profundo
mas o amor do mundo.

4º LUGAR

INFILTRAÇÃO
(Ruy Lacerda Germello)

Infiltração. Dissolução.
Corpos dissolidos
Corpos infiltrados.
Infiltro meu corpo ao teu
Infiltro prazeres meus
Aos desejos teus,
Infiltro minh'alma
para que um dia um ente rejuvenecermos.
Infiltro numa garrafa de gin
A procura de uma fuga sem fim
Infiltro, descubro
Alcool dominável
de problemas imperfeitos.
Revolucionàriamente tento resgatar
A falsa fuga fabricada por uma neurose
Infiltro no próprio EU
Descubro:
Várias premissas
Me concluem - Amo & Vivo.

5º LUGAR

CAMINHANTE
(David Lacerda Germello)

Caminhando
caminhos complexos
caminhante complexado
caminhou caminhos
côncavos-convexos.
Caminhos confusos
coloridos contrastantes
cobertos com cores coradas
concordando comumente
com corpos construídos
com concretização.
Caminhando
caminhos complexos
caminhante complexado
caminhou caminhos coerentes.

6º LUGAR

UMA ROSA... A ÚNICA
(Dirce Rocha da Silva)

Eis um botão de rosa
Lindo, vermelho, sózinho
Numa única roseira
Num único galho
No meu mundo
Que é único.

Porém nessa vida
Surge o sol e a chuva
Chega o vento e o tempo
E a flor já se abre
E torna-se linda
E torna-se única.
E apesar do sol e do vento
E apesar da chuva e do tempo
E apesar dos pesares
A minha flor não morre
Ela é única
Não pode morrer nunca.

7º LUGAR:

DUAS PALAVRAS AO MUNDO: GUERRA E PAZ
Saí - "pela aí"
A Te procurar
Na Terra, no Mar, no Ar
Em todo lugar
Eu te chamav:
- PAAAZ! PAAAZ!
Onde estás?
E TU NÃO RESPONDIAS!
E no entanto
Para meu encanto
Tu estás aqui!
- No beijo da espôsa amada!
No sorriso do filho querido!
Então que mistério é êste
MEU DEUS!?
Que não encontramos a Paz
Nos ensinamentos Teus?
E porque a Paz
Está... na Guerra:
Da fome em Biafra
Na mortandade do Vietnã
Nos campos de Cuba
Nos terroristas arrependidos de amanhã!
De uma palavra mal compreendida!
De um beijo perdido
De um Adeus da mulher querida
De um amor incompreendido!
E no entanto
Para nosso encanto
A Paz está aqui:
- No beijo da esposa amada!
No sorriso do filho querido
No beijo da namorada...
Na volta do Amor perdido!

8º LUGAR:

PERANTE O MUNDO
Beijos
Concepções de almas famintas
Amor
Encontro do obscuro com inexistente
Sonhos
Ilusão de tudo o que se quer fazer
Eu
Um ponto à procura do mundo
Mundo
Um tesouro perdido no infinito
Lua
Sonhos de muitos tolos
Homem
O que diz pensar
Pensamento
Raciocínio de um Robô
Robô
Homem fabricado
Tu
O que eu procuro no mundo
Procuro
Desencontro do encontro
Feliz
O que já não sou.

9º LUGAR:

TEOREMA
(Violante Maria Fonseca)

A tristeza chorando
espera um "Aladim".
Precisa abrir os braços.

Atrás da tela
há alguém que espera.

Bastaria eu abrir os braços.

Essa estrêla esconde um coração,
que além de luz,
quer ser promessa.

Falta só abrir os braços.

O sorriso deseja
chorar em alguém.

Espera, o abrir os braços.

Lá fora a flor, por momento
quer provar do desamor.

E eu... abri os braços.

1oº LUGAR:

QUERO VIVER
(Ruy Lacerda Germello)

Posar, Sentir e Refletir
A Evolução Pseuda se Reluz
Predomina A Insuficiência.
Tenta Parecer Escondida
Com Vulto Sem Perceber
Parece Ser Maior
Vendo Que nâo Consegue
Tenta Apelar.
Quero Sentir Um Apêlo
Quero Mandar Às Favas
Quero Me Ver Rindo
Quero Me Ver Chorando
Sentir... Refletir...
Pensar Que Tudo Se Foi
Uma Tortura Liderava
O Direito De Ser O Melhor
Para Uma Vida Sem Rancor
Passa A Vida
Vem a Morte
Ressureição!!!
Acabo de Crer!
Nasci Novamente.


ACERVO: O JORNAL DE RECREIO

PE. JUAREZ AUGUSTO: benfeitor de nossa comunidade


"Fomos convidados a apresentar à nossa classe a biografia de um dos beneméritos da Vila de Conceição da Boa Vista e escolhemos o nome do Padre Juarez Augusto, por considerar o grande serviço que ele prestou à nossa comunidade, fundando aqui o Ginásio John Kennedy. Vigário de Cristo por vocação, nasceu o Padre Juarez em Guiricema, Minas Gerais, em 9 de setembro de 1933. Aí fez os seus estudos primários, ingressando depois no seminário onde estudou com grande aproveitamento durante 10 anos. Logo que recebeu ordens foi servir ao Bispado de Leopoldina, onde prestou os relevantes serviços de seu trabalho.
Designado pelo Revmo. Bispo para a Paróquia de Recreio, aqui chegou em 1958, exercendo com zelo e honestidade o seu sagrado mister.
Jovem e idealista, aceitou com entusiasmo as determinações do Concílio Ecumênico realizado pelo Papa João XXIII, e introduziu em sua Paróquia as modificações nele preconizadas, enfentando corajosamente o descontentamento de parte de seus paroquianos.
Acompanhado por um grupo de boa-vontade, organizou a Fundação João XXIII, cuja finalidade é educar e instruir sem visar lucro. Assim, com um trabalho insano, enfrentando toda a sorte de dificuldades (pois se contou com o apoio de uma parte da população, teve de lutar coma oposição de outra parte). Fundou o Colégio João XXIII, em 6 de abril de 1965, que hoje conta com 400 alunos, e em 31 de maio de 1968, o nosso querido Ginásio John Kennedy, que conta só com 60 alunos, mas que tem um alcance muito maior que o primeiro, pois é o único estabelecimento que dá o ensino médio em nossa vila e atende aos filhos de agricultores que, de outra forma, não conseguiriam estudar mais que o curso primário.
É com orgulho que vimos os nossos colegas, que terminaram a quarta série no ano passado, ingressar em colégios com boa classificação, para continuar seus estudos e, talvez brilhar mais tarde na vida profissional. Devemos isso ao Padre Juarez e àqueles que nele confiaram, por isso eu o considero um benemérito de nossa comunidade.
Que Deus o abençoe e mantenha em seu espírito o desejo constante de educar e instruir, lá em Teófilo Otoni, onde ele agora vive como diretor do Ginásio Polivalente.
Construir Igrejas ou construir Colégios [e construir para a eternidade!!!".
(Palavras da aluna Glória, da 7ª série do Ginásio John Kennedy em 1972)

III FESTIVAL DA CANÇÃO POPULAR DE RECREIO

Nos dias 1º, 2 e 4 de novembro 1972, a Associação Comercial de Recreio foi palco de mais um grande acontecimento cultural com a realização do II Festival da Canção Popular de Recreio e V do Festival da Poesia. Canções selecionadas:

MUDADO DEMAIS
(De Ernane Borges Guimarães)

I
Você insiste em me deixar
Eu não desisto, não vou lhe abandonar
Você insiste em me deixar
Eu não desisto, não vou lhe abandonar.

II
Você diz não, eu digo que sim
Pois é verdade, "pode crer" em mim.
Eu digo sim, você diz não
Isso maltrata meu coração. (Bis)

III
Há quatro anos atrás
Eu era mudado
Hoje sou
Mudado demais. (Bis)
(VOLTA À SEGUNDA ESTROFE)

JÃO E MARIA
(De Ernane Borges Guimarães)

É João é Maria. É Maria, é João...
Lá no morro não tem água não.
Quando é noitinha, João e Maria
Descem para a cidade defendendo
É João, é Maria. É Maria, é João...
Ah! Como é triste a gente ver
Tanta gente nesse mundo sofrer
Uns têm demais
Outros não têm o que comer
Mas tudo isso não tem problema não
Mas lá no morro não tem água não...
É João, é Maria,
É Maria, é Jão,
É João, é Maria...

EU SOU NADA
(Música de Antonio Carlos W. de Freitas.
Letra de Ciro Roberto, Luiz Almeida Fernandes)

Um dia uma lágrima perguntou
A uma linda, linda gota de orvalho:
Ô gota, tu és filha do carvalho
Ou és dessa chuva que terminou?

Ô lágrima,
Ô lágrima,
Eu sou nada,
Eu sou nada.

Ô lágrima, amiga eu sou,
Um nada, que vive do orvalho,
Sou uma simples, simples gota de carvalho
Que nasceu quando o vento soprou.

O AMOR ACONTECE
(Letra e música de Aristides Dorigo)

Desse amor não sou culpado
Nem mesmo culpo a você
A gente ama ou é amado
Sem nunca saber porque (Bis)

Foi você de quem gostei
Nesta vida é sempre assim
Sou censurado bem sei
Mas sem você que seria de mim.
Foi você..

TRISTE É A NOITE - FANTASIA
(Letra e música de Jaci Carvalho)

Quando a noite vem
Eu vivo só pensando nela.
A noite é minha inimiga
Faz-me lembrar o passado com ela.
Se eu tivesse prestígio no Céu
Pediria a Deus que mandasse só o dia,
Pois a noite pra mim é um açoite
É a causadora da minha agonia.

Ao pensar nos passados risonhos
Dos beijos, das juras, que sempre trocamos,
Do nosso futuro que sempre traçamos,
Mas ela fugiu, destruindo os meus sonhos,
Agora me vejo sem rumo , perdido,
Qual folha que o vento atirou no chão,
Nas minhas palavras não há mais sentido,
Vivo caminhando e sem direção.

VIDA
(De Sebastião Fernandes da Silva)

Vida
Uma vida
Crua, nua
Um vida, duas vidas três vidas,
Quatro vidas, cinco vidas, seis vidas
Num rua nua
Milhares de vidas
Multidão.
Uma vida, duas vidas, três vidas,
Quatro vidas, cinco vidas, seis vidas
Desunião.
Uma vida,duas vidas , três vidas,
Quatro vidas, cinco vidas, seis vidas
Milhares de vidas
Desigualdade
Falta de AMOR.

PICOLÉ AMERICANO
(Letra e música: Padilha)

Uma fábrica de sorvete americana. Ana Ana Ana cana-caiana
faz do sangue seu mais divino nome, home, home home lubisome
faz da vida o mais doce picolé, mué, mué, mué mué
na embalagem vem escrito só não vive quem não quer.

Gritua um - vendedor na rua, ua, ua, rua sua
quem vai querer comprar, ar ar ar ar
tem sabor de creme corte
tem sabor de sangue forte
tem sabor de chocolate, late late late
tem sabor de vida e morte, orte corte sorte morte.

MENSAGEM
(Rosana Márcia Brito)

Refrão: Andei pelas serras
Lutei muitas guerras,
Vaguei longas terras.

Trago meu peito cheio de amor,
Não quis trazer comigo a dor,
Quero deixar aqui meu clamor:

Pra hoje poder falar,
Das coisas que eu aprendi
A vida me ensinou a revelar
Promeu povo como vivi.

Sofri por ver
A guerra aumentando,
A paz se turvando,
O amor acabando.

Sofri por ver
Gente perdida
Querendo galgar
Alguma dor sofrida.

Sofri por ver
Meu povo triste
E verifiquei
Que tristeza existe.

Sofri por ver ver
Gente cantando,
Em amizade
Viver pensando.

Sofri por ver
Tristeza contida,
Um mundo de risos,
Saudade escondida.

Sorri por ver
O amor despontando,
A guerra acabando,
A dor findando.

E agora que eu já falei
Do modo que eu vivi,
Meu grito aqui deixarei:
Foi sofrendo que aprendi.

ROCK AND ROOL DE ARRASAR
(Anibal W. de Freitas)

Era nova e acompanhada
Quando em vim nascer
E nós crescíamos juntos
Meu pai, minha mãe e eu.

As coisas andavam bonitas
E eu começava a brincar
E eles me alegravam
Cantando "um rock and rool de arrasar".

E cantavam:
Cha na na na na na... (3 vezes)
Um velho "rock and rool de arrasar".

Agora as coisas mudaram
Não ouço mais a canção
Meus pais ficaram mudos
Com a tristeza no coração.

Hoje não conseguimos
A letra da Rock lembrar
Mas nada mora em noss'alma como
O som do "rock and rool de arrasar".

E cantavam:
Chá na na na na na (3 vezes)
Em velho "rock and rool" de arrasar.

O CARNAVAL QUE EU BRINQUEI
(Música de Jaci Carvalho. Letra de Aristides Dorigo
e Jaci Carvalho)

De outros carnavais que eu brinquei com ela,
Relembro agora, com saudade,
Depois dos meus 50 anos de idade,
Recordo mui triste, chorando a minha mocidade,
De outros carnavais que eu brinquei com ela,
Agora vivo em meu recanto de saudade.

Confete e serpentina quase não existem mais,
Pierrô e Colombina já ficaram para trás,
E do lança-perfume que fazia sonhar,
Agora só me resta recordar...

SAMBA, CHARADA
(Zacaria Gomes do Nascimento)

Lá no campo é fruta colorida
Na Floresta é madeira de Lei
Duas e duas um nome de mulher
O nome dela eu não direi.
Este samba é uma charada
Fui eu mesmo que bolei
Diga o nome da mulher
Que está na pista que eu lhe dei.
Ela pode ser brasileira
Ou estrangeira
De uma nação qualquer,
Pode ser loira,
Branca, preta ou mulata,
O que importa é ser mulher.
Lá lá lá lá ra ra ra ra
O que importa é ser mulher.

SONHO
(Francisco Aristides Martins - Chiquinhão)

Olho o mundo alegre
Cantando sorrindo, vibrando.
Olho em volta de mim
Vejo tudo
Estou sonhando enfim
Olho para moços e moças
Alegres, contentes, felizes,
Olho para o sol que desponta
Trazendo pra todos amor e espernça.
Mas quando acordo dste sonho,
Vejo a vida sem retoque
Sem estoque de amor
Eu vejo que neste mundo
Não passo apenas de sonhador.

PENSO EM VOCÊ
(De Francisco Antonio Germelo e
Carlos Alexandre Mercadante)

Penso em você
Às vezes choro
Não sei porque
Mas sei que penso
E quando penso
É em você.
De minha janela
Olha a vida
Vejo uma rosa
Penso em roubá-la
Para ofertar-lhe.
Penso em você
Vejo você
Sorrindo
Correndo.
Você pára
Eu te olho
Você é formosa
É orgulhosa
Como o sol do meio-dia.

ROSANA
(Elur de Castro Santo)

Rosana
menina flor
Que só sabe chorar
e ainda não viu
que o amor é tão belo
para quem quer amar.

Deixe a tristeza de lado
venha comigo cantar
vamos sair por aí
e levar o amor
pra quem quer amar.

PARTIDA PARA O INFINITO
(Rosa Marcia Brito)

Vai, caminhante,
Vai caminhar.
Você caminhando
Pela estrada que é longa,
A estrada que é a vida,
A estrada que também tem fim.
Vai, caminhante, vai (3 vezes)
Vai procurar a Paz.
Vai
Cantando para o mundo,
Cantamos todos nós.
Vai
Girando com o mundo,
Giramos todos nós.
Vai
Lutando pelo mundo,
Lutamos todos nós.
Quero mostrar que estamos com você (bis)
Vai correndo
Que o fim da sua estrada vai chegar
E assim tudo vai se acabar
Pra gente nova a sua vida começar.

CORTE ESSA...
VÁ EM FRENTE
(Zacaria Gomes Nascimento)

Em uma varanda
Um casal de namorados
Abraçam e beijam
Descuidados.
Em uma esquina
Da rua ao lado
Ficam os curiosos
Aglomerados.
Enquanto uns riem
Outros jogam piadas
Mas o casal
Não está ouvindo nada
De rosto colados
Ouvidos com ouvidos
Trocam juras
Do grande cupido
Planejam seus futuros
De Mulher e Marido.
Curiosos curiosos
Não sejam tão marotos
Corte essa vá em frente
Deixe a vida dos outros
Lárárá lárárárá
Deixe a vida dos outros.

O QUE SOBROU
(De Sebastião Eduardo e Pedro Paulo)

A história que o homem não fez
O poema que mundo comeu
A verdade que Deus acreditou
O dia que noite gerou
Das preces que o cansaço criou
A planta se alimentou
E o homem secou
As guerras que fumaça brotou
O ódio se levantou
E a alegria deitou.
A cidade que ninguém viu
O calor que o sol não sentiu
A tristeza que o dono não amou
Na barca do nada seguiu.
Das palavras que a escola ensinou
A lembrança guardou
A mão escreveu
E a vida venceu
Dos delírios da fome
A caça se abrigou
O escuro se fez
E o medo chorou
Das idas e vindas
que o movimento
em pedra transformou
Quem é quem no que sobrou?

EXPECTATIVA
(Marília Abreu Rocha)

Anoiteceu
parte do mundo
o teu povo vagabundo
adormece em tuas mãos
tão cansado
de ser nada
querer tudo
Imperfeitos.
Anoiteceu
calam-se as idéias
e se gelam as platéias
que adormecem sonos vãos
tão cansadas de ser tudo
sem ter nada
Impefeitos.

E deliram deuses de papel
que se queimam no fogo real
verdadeiras manhãs
do - Acordei...

Amanheceu
num leito amante
dar carinho é uma constante
ela agora é mulher.
Tão amado
o teu corpo
num delírio
Pecadores...
Amanheceu
num seio errante
virgem morta e fascinante
sua imagem é lembrança
e o teu corpo
tão amado
não existe
Pecadores...

E deliram deuses de papel
que se queimam no fogo real
verdadeiras manhãs do - Acordei!...

Aconteceu
que anoiteceu
e eu vi.
Aconteceu
que amanheceu
e eu vi.
Olhei para o mundo
só quis ser feliz
e o meu protesto
foi quem errou.

LADAINHA DA ESPERANÇA
(Anibal e Pedro Dorigo)
Gemem ondas lá na praia
Beijam águas a branca areia
Sai jangada para o mar (3 vezes)
E o céu sobre as ondas
Abre os braços pra jangada
Coração pro pescador
Jangadeiro vai pescar
Deixando lá atrás sua mulher, chorando.
Homem de fé e coragem
Pescador que de morada
Faz o mar e sua jangada
Já no meio do oceano
Murmura aos peixes
Vela soprada pelo vento.
A mulher lá na praia
Ladainha da Esperança
Canta a espera,
a espera
a espera
Que ele volte
Quanto a volta ela não sabe
Do homem que é seu marido
Do homem que é seu marido.
Jangadeira toma o remo
Fugindo da borrasca
Que ameaça sua vida
Que ameaça a sua vida.
Jangadeiro de coragem
Que não tem medo do mar
Onda sobre onda vai
Cai sobre o pescador
Que luta contra a morte
Para a onda não o levar.
Tarde já ia caindo
Quando voltava à sua casa
Deixando lá atrás o mar a chamá-lo.
Se a onda o levasse
Yemanjá seria invocada
Pela mulher lá na praia
Pela mulher lá na praia.
Seu retorno foi feliz
Com peixes na jangada
Lá veio ele vitorioso
Abraçar a sua amada
Abraçar a sua amada.
Gemem ondas lá na praia
Beijam águas a branca areia
A jangada já chegou
A jangada já chegou
A jangada já chegou
A jangada já chegou...

LÁSTIMA
(Marília Abreu Rocha)
Gota de lágrima
de um marginal
eu vi
a rolar
de tédio
bêbado
nítida
amiga da dor.
Gota de voz
de um ladrão
ouvi
a dizer
do crime
a arma na mão
controle vital
final de ilusão.
Porta fechada a luz desse sonho morto
na cela a dor do destino louco
e vê de longe o perdão na rua
de pés no chão da verdade nua.
Gota de lástima
de um preso
eu ouvi
sussurar
ao Deus
piedade
a dívida
soluços de amor.
Gota de lágrima
de lástima
de voz
eu vi
meu pai[
de algemas na mão
em aços mortais
saudade em vão.
Porta fechada a luz desse sonho morto
na cela a dor do destino louco
e vê de longe o perdão na rua
de pé no chão da verdade nua.

ACERVO: O JORNAL DE RECREIO - julho/agosto de 1972