Total de visualizações de página

PLACA NA ESTRADA DE CONCEIÇÃO DA BOA VISTA NAS PROXIMIDADES DO COLINA CLUBE

PLACA  NA ESTRADA DE CONCEIÇÃO DA BOA VISTA NAS PROXIMIDADES DO COLINA CLUBE

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

GRANDES AMIGOS DA MINHA ADOLESCÊNCIA



No centro segundo plano (da esquerda para direita) Luiz Hamilton Ferreira Vicente(Tumá). No primeiro plano (da esquerda para a direita), 2º Natal Lessa Rodrigues (Cançado), 3º Jorge Miranda Ribeiro (Brioso), 5º Silvio Cesar Costa (César Bangu) e 7º Nelci Costa Moreira (Muleque Bonito). A esquerda, no sentido horário, Natal, César Bangu, Armando e Irani. Natal, nosso grande filósofo, trabalhou muitos anos no Armazem do Zezé Andrade. Casou-se e veio a falecer em Juiz de Fora aguardando um transplante de rim. Jorge Miranda, casado, Advogado, Administrador de Empresas, Escritor, Funcionário Público Aposentado mora em Brasília. Luiz Hamilton, casado, professor de Matemática é comerciante em Cataguases. Silvio César Costa, Engenheiro da RFF aposentado, casado, mora no Rio de Janeiro. Nelci Costa Moreira, maquinista aposentado da Estrada de Ferro Lepoldina, casado, mora em Juiz de Fora.
Esta fotografia é da década de 60 quando estudavamos no Ginásio de Recreio. Foi tirada num aniversário na casa do Sr. Daé.
Gostavamos de frequentar o Bar do Zuza onde a eletrola PHILIPS tocava os discos com a rotação abaixo das 33. Ali ouvíamos Altemar Dutra, Carlos Alberto, Gregorio Barrios dentre outros sucessos da época e aproveitavamos para conversar sobre nossos amores secretos. Como estavamos vivendo a época do romantismo o ambiente era altamente propício. Zuza usava sempre seu chapéu preto de pilica e gostava de imitar o Nelson Gonçalves.
O Bar do Zuza ficava na rua da estação ferroviária. Quando o dinheiro não dava para comprar uma Coca-cola para cada um, fazíamos o milagre da multiplicação do referigerante acrescentando um pouco de açúcar em cada copo. Três dedos de Coca em contato com o açúcar produzia uma quantidade de espuma para encher o copo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

DIZEM QUE A VIDA COMEÇA AOS 50


Armando Mercadante

Sou um cinqüentão em plena andropausa vivenciando as conseqüências provocadas pela diminuição da produção hormonal. A linha do passado está ficando cada dia mais comprida e a do futuro diminuindo. É uma dura constatação. Quando converso com um colega e recordamos fatos da infância levo um tremendo susto: mas isso aconteceu há 40 anos atrás! Dá até um calafrio. O Armando de ontem transformou-se no Sr. Armando de hoje. Só me resta imitar a raposa na fábula de La Fontaine. Segunda a fábula, como a raposa não conseguia alcançar as uvas na parreira racionalizou dizendo:- Não tem importância. Elas estão verdes.

Os psicólogos definem o comportamento da raposa como racionalização. Mecanismo de defesa onde a pessoa procura enganar a si mesma, encontrando justificativas intelectuais para uma situação que é vivida com certa intensidade emocional. Sua função é reduzir a ansiedade. Danem-se os psicólogos e viva a raposa! Somos apenas jovens com os cabelos grisalhos que transformamos nossas recordações em artigos na MM. Qualquer dia entraremos na “melhor idade”, ou melhor, terceira idade. Essa história de melhor idade me parece “raposice aguda”. Vivam os psicólogos e fora com a raposa!

Um determinado autor, que graças a Deus esqueci o nome, afirmou impiedosamente que sentir saudades do passado é um dos sintomas de que estamos envelhecendo. Como não sentir saudades do passado? Como não ouvir Only You com The Platters e não lembrar com emoção dos tempos da brilhantina? Dos Anos Dourados? E as recordações transformadas em artigos na MM? Se o autor estiver certo alguns escritores marmorristas já estão “prá-lá-de-bagdá”, com direito ao pé-na-cova, expressão utilizada pelos ferroviários na época de ouro da ferrovia. Quer dizer que sentir saudades da Maria Fumaça e do barulho do trem é sinal de envelhecimento? Então, estou prá lá de velho!

O nosso marmorrista Zuca (Quebinha) está com o telhado todo branco. Parece até negativo de retrato. (Zuca: temos agora dois negativos de retrato em Recreio). O meu telhado já está grisalho. Em 2008 ficarei Sex. As barbas do Pedro lembram o Moisés dos dez mandamentos. O Aníbal já está com as telhas um tanto quanto danificadas. Já o telhado do John parece imagem do bombardeio no Iraque. Vou arriscar uma afirmação que vai dar o que falar: MM surgiu como conseqüência da andropausa dos seus criadores. Essa história de criar um espaço para o recreiense publicar suas criações literárias é conversa prá boi dormir. Se alguém duvidar é só perguntar para o Dr. Freud.

Poder envelhecer com dignidade é um direito do ser humano que precisa ser garantido pelo Estado. Os avanços da Geriatria e da Gerontologia estão contribuindo para uma nova visão da velhice. A população idosa está aumentando significativamente. O impacto desse fenômeno demográfico no planejamento das cidades e nos cofres da previdência é profundo. Temos que romper com a visão equivocada e preconceituosa da velhice como idade da estagnação, da improdutividade, do sucateamento do ser humano. O leitor pode (deve) acreditar: a velhice é a melhor idade! Viva a raposa e abaixo os psicólogos!

“Até pouco tempo, o único critério para medir o sucesso ou fracasso dos cuidados da vida era sua duração. Em seguida, tomou-se consciência de que a longevidade adquirida não devia ser reduzida a uma simples sobrevivência biológica, mas, que uma vida mais longa nem sempre significa uma vida melhor e que não é suficiente alcançar uma meta cronológica do corpo para vencer a morte física, se ocorrer aquela psíquica. O objetivo a ser colocado deve ser uma meta ligada não só a quantidade numérica de anos, mas também à qualidade de vida, de tal maneira a tornar o envelhecimento desejável. Somente nos últimos anos, conseguindo-se dar mais anos à vida, entendeu-se a importância de se acrescentar vida aos anos”.

“A velhice tem que ser pensada como uma perspectiva de totalidade sócio- biológica, mais do que só um fato biológico. A velhice é um fenômeno com várias dimensões e complexidade, incluindo fatores políticos, sociais, econômicos e culturais. A capacidade de produzir, a questão econômica, costuma-se sobrepor todas as demais fazendo, inclusive, com que a valorização da vida humana se faça à partir de critérios meramente materiais. A pessoa humana atualmente só é importante enquanto integrada ao sistema produtivo e contribuindo para a expansão do capital. Um sistema de vida cruel e mutilador: um sistema que não oferece á imensa maioria de seus componentes o menor incentivo para viver. Que antecipa a morte das pessoas que envelhecem”.

“O que vale na vida é a vida interior, são os pensamentos, são as sensações, são as esperanças e não é privilégio da velhice. Morre-se em qualquer idade".

A vida é o corpo em movimento. Mesmo lento, no corpo do idoso não deixam de perpassá-lo por desejos, por sonhos, por fantasias, por possibilidades de viver bem. "A velhice necessariamente não precisa impedir que a pessoa faça tudo o que sempre fez; o que importa é a qualidade do que é feito e como se faz”.

“Com estas preocupações admitimos que temos que sonhar para vislumbrar outra realidade mais promissora. Sonhos estes que devem ser percebidos no íntimo de diferentes pessoas, instituições, donos do poder , pois todos poderão". passar por isto. Sonhos que possam ser traduzidos em ações, por todos aqueles que acreditam na velhice como mais outra fase realizadora na vida. Isso não custa tanto assim, é só começar cada um fazendo a sua parte.

Para tanto, o ciclo da vida não deve mais prever uma infância dominada pela dependência, uma idade juvenil e adulta onerada pelo trabalho e uma velhice interminável e inútil, mas, sim uma longa idade livre, sempre digna de ser vivida e com a possibilidade de dedicar-se também a objetivos sociais e espirituais num postura de constante aprendizagem”. (Mercadante, Lenira R.P. Monografia de conclusão do Curso de Psicologia).

Em tempo: ler MM só com uma lupa.



segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A TRADIÇÃO DA COLHEITA DAS UVAS NO NATAL DA FAMÍLIA PERES EM RECREIO

Na fotografia Ulisses Robert Cunha passando para seu afilhado de batismo e sobrinho Armando Sérgio Peres Mercadante a missão de não deixar morrer a tradição da família de colher as uvas após o almoço com a tradicional bacalhoada no dia de Natal. A fotografia foi tirada em 25 de dezembro de 1996, último Natal que Ulisses, nosso Patriarca, passou conosco.
Essa tradição vem desde os tempos do Arlindo Peres quando casou com Anita. Quando Ulisses casou com a Arminda assumiu a função de podar a parreira e colher as uvas.
Hoje Ulisses não está mais entre nós. As uvas continuam sendo colhidas e o Anderson, filho do José Peres, assumiu a função de fazer a podagem.
A família cresceu, alguns se foram e a tradição continua e continuará sempre viva, passando de geração para geração. Arlindo Peres e Anna Rocha Peres (Anita) "combateram o bom combate" e deixaram bons frutos. Seus filhos, netos, bisnetos e genros continuam celebrando o Natal na casa em que viveram e criaram seus filhos, deixando como legado a honradez de caráter e o respeito a Deus.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

MAIO MÊS DE MARIA



Lenira Rocha Peres Mercadante
“Eis aqui a serva do Senhor.
Faça-se em mim segundo a tua palavra”
(Lc 1,38).
Quando recebi a última MM e vi na capa a fotografia da antiga Igreja de Recreio, senti uma sensação gostosa em lembrar dos bons tempos da minha infância. Logo veio a lembrança as comemorações do mês de maio em Recreio. A expectativa era muito grande para a chegada deste mês que se homenageava Maria, principalmente pelas crianças e os que participavam ativamente das atividades organizadas pela Igreja.
Para nós, crianças na época, era uma grande festa cheia de muita emoção e alegria. Dentro da Igreja armava-se um altar muito bonito, onde se realizava a coroação de Nossa Senhora. A ornamentação era de muito bom gosto e primava pelo capricho. O altar ficava lindo revestido com o azul da cor do céu. E lá estava a imagem de Maria de uma beleza incomparável.
Havia os ensaios de preparação das crianças que iriam participar do grande acontecimento: cantos, como coroar e colocar a palma, a oferta do buquê de flores e o lugar onde cada uma deveria ocupar. As responsáveis pela organização e pelo ensaio, salvo engano, eram Maria Tomasco e Maria, Nadir e Nair do Frederico.Terminado o ensaio, as crianças arrumavam um corre-corre em busca das flores que seriam jogadas em Maria em forma de pétalas. “E a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem (Lc 1,50)”.
A noite era encantada como num conto de fadas. Lembro-me ainda das roupas dos anjos. Eram lindas, feitas de tecido branco, rosa ou azul claro e brilhante, com a parte de cima trabalhada com casinhas de abelhas onde eram colocadas inúmeras estrelinhas prateadas com muito brilho. Na cabeça uma coroa de flores e as asas, tão lindas, muito brancas. Minha mãe tinha o costume de nos agasalhar por baixo da vestimenta, devido ao intenso frio das noites de maio.
O ponto de encontro e saída da procissão ocorria em frente da casa da Dona Rosa Vieira, pessoa boníssima e educada. Lembro-me dela com muito carinho. Ali se reuniam todos os participantes: pais, anjos e acompanhantes. Com muita beleza e fé a procissão caminhava em direção da Igreja seguida da Banda de Música que contagiava a multidão. Que maravilha! Cá pra nós, a Banda animava e alegrava muito a cidade. Deus queira que ainda tenhamos outra. Estou confiante. O andor de Maria e os anjos iam à frente. Os fogos de artifícios embelezavam e encantavam a todos. A multidão cantava: “Ave, ave, ave Maria (...)” Momentos de muita emoção estavam sendo vividos intensamente. Na hora da coroação os sinos repicavam, os foguetes explodiam nos céus, a Banda tocava e o retratista tirava as fotos sob encomenda. Era o momento mais bonito e emocionante de todos. Toda a atenção estava voltada para aquela que é a mais sublime de todas as criaturas: Maria. “A minha alma engradece o Senhor. Exulta meu espírito em Deus meu Salvador (Lc 1,46)”. Naquele momento Maria estava sendo coroada por um dos anjos. Após a coroação ocorria a distribuição de enfeites ou sacolinhas, com doces oferecidos geralmente pela mãe do anjo que coroava Maria. “O Senhor fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome (Lc 1,49)”.
Após a coroação, o povo ia para as barraquinhas saborear salgadinhos, bolos, chocolate,quentão era o que não faltava. E sempre terminava com um leilão de dar água na boca, devido à variedade das deliciosas prendas. E a festa continuava com a participação de muita gente, apesar do frio que compunha o cenário.
Vivíamos as comemorações do mês de maio com muita intensidade e alegria. São momentos inesquecíveis.É importante que se viva cada momento de nossas vidas com muita intensidade, qualidade, amor, paz, alegria, coragem, confiança e fé. Porque a vida não deve ser contada pelos dias que passam e sim pelas coisas boas que fazemos e vivemos..
O tempo passa, voa, sem darmos conta. É como um pássaro que escapa das nossas mãos e se perde no infinito.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

ENTREVISTA COM ALAOR PERES

Carta escrita por seu pai, Arlindo Peres Martins, comunicando que a ordem de serviço para
trabalhar na EF Leopoldina. Esta carta foi escrito a lápis. Observervem a caligrafia e o português bem escrito.

Tom Mix, seu cowboy preferido.

Alaor com sua sobrinha
Maria Fernanda na Expo-
sição em Recreio. A direita
com Sérgio Dutra numa come-
moração do Natal na casa de sua irmã Aparecida.





A MAGIA DO CINEMA



Aristides Dorigo



Pelo que sabemos, Alaor Peres, sempre foi entusiasta da Sétima Arte e, desde jovem, tornou-se operador do antigo Cinema Eldorado do Sr.Amaro de Souza Melo.



Alaor é ferroviário aposentado como agente de estação, onde iniciou sua carreira como praticante de serviços gerais. Muito inteligente, fez sucesso até alcançar o máximo da categoria. Por vezes, com agente de estação, chegou a receber elogios públicos da administração da estrada, por sua destacada atuação, servindo a contento a clientela da RFFSA.



1 – Alaor, o que você mais admirava no cinema, as cenas dramáticas ou o desempenho dos Artistas?



Admirava as cenas dramáticas quando bem desempenhadas.



2 – Quais os filmes que mais lhe despertaram atenção?



“E o vento levou”, “Ben Hur, “Os dez mandamentos” e outros.



3 – Que tipo ou gênero de filme você sempre apreciou?



Bang-bang.



4 – Você chegou a conhecer algum filme mudo? Quando e em que cinema?



Conheci “O Circo” e “Tempos Modernos”. Não me lembro em que cinema.



5 – Alcançou no cinema filmes seriados? Em quais você “mais se amarrou”?



Sim. “O Zorro”, “Os vigilantes da lei”, “Filha da Selava”. “Os Perigos de Nioka”, “Falcão da Floresta”, “Demônios em Luta” e “Mulher Tigre”.



6 – Na sua opinião, quais os astros ou estrelas que marcaram a trajetória do cinema em seus 100 anos?



Tom Mix, Buck Jones, Ken Maynard e seus cavalos Tony, Silver e Tarzan. Gary Cooper, John Wayne. As estrelas Rita Moreno, Claudette Colbert, Olívia Haviland e Bárbara Stanwyck.



7 – Quais os gêneros que levaram mais público ao cinema?



Clássicos, Históricos, Bang-bang e seriados.



8 – Diga um fato curioso ou pitoresco que teria ocorrido durante algumas projeções no Cine Eldorado?



Pitoresco não me lembro. Mas o fato curioso e dramático aconteceu quando incendiou um capítulo de um seriado. Não havia extintor no cinema. Foi um “Deus me acuda”!



9 – Sabemos que você era fã dos filmes faorestes. O que mais admirava neles, desempenho dos cowboys, das mocinhas e/ou as locações das cenas?



Admirava o desempenho dos cowboys e as locações das cenas.



10 – Você viu algum faroeste italiano? Eram melhores ou piores que os americanos?



Assis vários faroestes italianos, mas os americanos sempre foram melhores.



11 – Dos filmes estrangeiros, quais os melhores? E os filmes nacionais, quais os gêneros que lhe causaram admiração?



Filmes estrangeiros são vários gêneros que me agradaram. Dos filmes nacionais, gostei de Oscarito e das chanchadas carnavalescas.



12 – Você ficou nostálgico quando os cinemas foram fechados em Recreio? Alimenta algum desejo na sua volta? E isto seria possível hoje, nesta fase de crise?



Fiquei muito triste. Tenho esperança que algum dia serão reabertos, pois a Sétima Arte não pode faltar na cidade.



13 – Chegou a freqüentar o Cineminha do Sindicato dos Ferroviários? Freqüentou o “Cine Sonho de Criança”, no Clube Flor da Mocidade? Freqüentou o Cine Recreio?



Sim. Freqüentei todos. E graças ao Sr. Dorigo que, com seu esforço, nos proporcionou, essa grande alegria, exibindo filmes do Carlitos e Gordo e Magro, seriados e Bang-bang.



14 – Deixamos espaço final para outras considerações que julgar oportunas.



Agradeço ao Sr. Aristides Dorigo pela consideração. Mas não posso deixar de lado o fato de ser ele o melhor conhecedor em assuntos da Sétima Arte. Minha admiração e respeito.



Alaor muito grato por sua gentileza e atenção. Faço votos que, como você espera, algum dia o cinema possa voltar a funcionar nesta cidade, para maior alegria de seus fãs e crescimento de nossa cultura. Que você seja feliz ao lado de sua dedicada esposa e familiares.



Esta entrevista feita pelo Sr. Aristides Dorigo foi publicada no jornal O Repórter da Mata, Ano IV, Número 39, Leopoldina, 09/02 a 9/03/2001.



Alaor faleceu em Juiz de Fora no dia 7 de agosto de 2003.



Abaixo uma homenagem prestada pelo médico Douglas Lourenço ao Alaor.





ALAOR



Douglas Lourenço



“A vida não passa de uma viagem de trem,



Cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas



Agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.



Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos



Com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco:



nossos pais.



Infelizmente, isso não é verdade em alguma estação eles descerão



e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível...



Mas isso não impede que, durante a viagem, as pessoas interessantes



e que virão a ser super-especiais para nós, embarquem.



Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.



Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio,



outros encontrarão nessa viagem somente tristeza,



ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa



Muitos descem e deixam saudades eternas...”



Dia 7 de agosto partiu Alaor em sua última viagem e já chegou à eternidade. No “trem da vida” nos encontramos pela última vez em 1965, em Manhumirim-MG, onde estudava interno no Colégio Pio XI (1962/1965) e Alaor, Agente da Estação Ferroviária, era um elo de minha comunicação com meus pais. Diariamente das mãos de Alaor recebíamos (eu e Joglita, José Dilton, Silvio César (Bolachinha), Winston e Delano, Ari Pessamilo, Rubens (Genin Coveiro), Luiz Carlos, Edelmo, João Batista, José Heleno e Geraldinho Damasceno, Rafael e tantos outros...) de suas mãos, cartas e haveres que precisávamos de nossos pais, num tempo em que não existiam telefones celulares, sedex ou internet e que a comunicação por telefone fixo ou correio era ainda muito rudimentar. Ali , com a ajuda das mãos solidárias de Alaor, demos importantes passos que nos trouxeram à vida profissional que hoje desfrutamos. Como escreveu Dorigo, sua estrela continuará fulgurando em nossos corações. Uma estrela que nos apontava Recreio, além de uma mar de morros. Uma estrela que iluminava em nossas mentes a lembrança de nossos pais e reacendia nossas saudades. Sempre sorrindo, sempre solícito. Naquela estação ferroviária Alaor mais parecia um xerife a nos ajudar e defender. Receba Alaor, na eternidade, tudo aquilo que Deus preparou para aqueles que nesta vida amam o próximo como a si mesmo.



(Artigo publicado na Mar de Morros de outubro de 2003)