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PLACA NA ESTRADA DE CONCEIÇÃO DA BOA VISTA NAS PROXIMIDADES DO COLINA CLUBE

PLACA  NA ESTRADA DE CONCEIÇÃO DA BOA VISTA NAS PROXIMIDADES DO COLINA CLUBE

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

CLÓVIS CUNHA


À direita fotografia tirada em 1945 da Banda de Música de Recreio
Clóvis Cunha, Totote, um nome que sempre lembrará os gloriosos tempos das Bandas de Músicas. Instrumentista da Lyra 1º de Maio e da Sociedade Operária Musical Flor da Mocidade, nasceu em 31 de dezembro de 1919 e faleceu em 17 de agosto de 1995. Além de música era poeta e trabalhava na cerâmica de seu irmão Estácio Robert Cunha como oficial produzindo vasos, moringas, talhas, dentre outras. Era um mestre no torno. Abaixo uma de suas poesias.

AMIGO DE FATO

No bom combate da vida
alguns louros logrei alcançar,
contristado também muitas vezes
a derrota não pude evitar.

Enfim quando o cume alcancei,
da ladeira que leva ao progresso,
milhares de mãos aclamaram
o meu retumbane sucesso!

Banhando-me em águas de rosas,
cercado de bajulação,
centenas de falsos amigos
disputavam minha atenção.

Mesquinha amizade que fica
onde meu interesse está,
amigos dessa espécie
diabos o levem pra lá!

Entretanto os amigos leais
que de fato amigos são meus,
nos revezes sempre estiveram
comigo graças a Deus!

Juntos lutando ombro a ombro,
jamais se afastaram da rota,
felizes com minha vitória
choravam na minha derrota.

O chefe de grande valor,
desta equipe aguerrida,
é homem a quem muito devo,
inclusivo devo-lhe a vida.

Tanto tempo o conheço
que lembrar é esforço vão
qual foi o dia exato
da nossa apresentação.

Dizem que sua alegria
foi muito grande e sem fim,
quando pela primeira vez
deitou os seus olhos em mim!

Este vulto cuja lembrança
do meu pensamento não sai
dentre todos meus bons amigos é
ele o maior: - "Meu pai".

domingo, 21 de outubro de 2007

MIGUEL ANDRIES, UM OPERÁRIO-PREFEITO




UM OPERÁRIO-PREFEITO

Miguel Andries nasceu em Porto Novo no dia 8 de abril de 1908 e faleceu em Cataguases em 19 de junho de 1994, vitimado pelo câncer. Morreu aborrecido com os políticos de Recreio terra que tanto amou. Antes de falecer deixou claro que não queria nenhum tipo de homenagem. Chegou a fazer um discurso na Câmara dos Vereadores manifestando o seu descontentamento. Depois que deixou a prefeitura chegou a passar dificuldades econômicas com sua pequena aposentadoria de trabalhador autônomo.
Filho de Maria Passos e Frederico Andries, viveu mais de sessenta anos em Recreio. Foi um recreiense de coração. De um família de sete irmãos foi o único que não se casou. Segundo sua sobrinha Niracy Andries Pires da Silva, presente em seu velório, "sua paixão proibida era Zizinha Fernandes".
Era um líder nato. Pessoa simples, honesta e empreendedora. Foi mecânico e especialista em instalações elétricas em máquinas de beneficiamento de arroz. Sempre participou de todas as comissões de festas benificientes.
Em 1958 foi o candidato do povo como candidato a prefeito vencendo João Perilo que representava os interesses dos fazendeiros e comerciantes. Tomou posse em 1º de janeiro de 1959 (ver foto onde está de terno preto do lado esquerdo do prefeito anterior Dr. José Antonio Monteiro de Barros que está sendo entrevistado). Foi a vitória de um operário que ousou enfrentar a elite de Recreio. Governou no período de 1959 a 1963. Foi também vereador no período de 1967 a 1971. Mesmo como prefeito jamais abandonou seu jeito simples de ser. Era comum encontrá-lo nos canteiros de obra com seu macacão de mecânico ajudando os trabalhadores. Certa vez uma pessoa vendo-o plantando no jardim perguntou onde poderia encontrar o prefeito da cidade. - Você está falando com ele, respondeu Miguel.
Miguel Andries foi um dos grandes responsáveis pela criação do Ginásio de Recreio em 24 de junho de 1956, enfrentando com coragem e garra todos os obstáculos que surgiam à sua frente. Teve também um papel importantíssimo na construção do novo prédio do Ginásio. Foi o primeiro Presidente do Setor Local quando a CNEG (Campanha Nacional de Educandários Gratuitos) encampou o nosso Ginásio. Exerceu a função de Presidente do Setor (órgão mantenedor do Ginásio) no período de 27 de setembro de 1959 a 28 de março de 1966.
Carnavalesco e organizador de festas fazia parte do do tradicional Clube dos Baetas, bloco carnavalesco do seu coração.
Remodelou o nosso jardim principal conseguindo que a Estrada de Ferro Leopoldina doasse um pequeno terreno que servia como depósito de lenha para alimentar as locomotivas. Ali construiu o atual lago artificial com o painel de azulejo onde mostra operários trabalhando na construção da via férrea(Ver fotografia acima). Na remodelação do nosso jardim principal teve a importante ajuda de Dona Rosa Vieira. Construiu também parte do prédio do atual Hospital São Sebastião.
Miguel era amigo da minha família. Foi colega de minha mãe, Dirce Araujo Mercadante, na juventude. Passava todos os dias lá em casa para tomar o cafezinho e conversar. Quando abria o portão chamava minha mãe, em tom de brincadeira, de Dona Dilce.
Guardo até hoje um presente que me deu quando eu era criança: um livro infantil c do Gato de Botas.
Na verdade Miguel foi um operário que ousou enfrentar a elite dominante e saiu vitorioso como o único operário-prefeito de nossa cidade até hoje.


PERSONALIDADE RECREIENSE
MIGUEL ANDRIES era, a meio século, uma destacada figura da sociedade recreiense. Vim a conhece-lo mais de perto quando o distrito de Recreio se tornou cidade em 1938.(...)
Sempre foi uma figura sociável, inteligente e criativa. Com a colaboração do povo de Recreio e de Dona Rosa Vieira, de saudosa memória, lutou para reaver da Estrada de Ferro Leopoldina, o pequeno espaço existente à frente da Estação Ferroviária de Recreio, no centro da cidade, entre as linhas férreas de Ubá e Carangola, ocupado como Depósito de Lenha, de três a cinco metros de altura, que imprimiam ao logradouro um péssimo aspecto urbanístico.
Vitoriosos construiram o atual coreto e jardim existentes, Algum tempo depois, já com o município instalado, do qual fui o primeiro Secretário-Contador, construiu comigo, Maria Tomasco, Alaide Malta e com o apoio da municipalidade, o Jardim do Botafogo , em que até os postes de iluminação foram feitos pelo Miguel Andries. Esse jardim veio a ser construído novamente, cinquenta anos depois, por meu filho, o arquiteto recreiense Luiz Celso Bretas Pereira, na gestão do Prefeito Dr. Geraldo Damasceno de Almeida, nosso primo. Curioso é que os meios-fios que copiei por desenho, em escala e que estavam sendo postos nas ruas de Belo Horizonte àquela época, foram encontrados intactos, no mesmo local onde haviam sido soterrados a um semi-século, vindo novamente servir à atual Praça!
Nos carnavais fazia carros alegóricos e decorações que asseguravam a boa apresentação do "Clube dos Baetas"!
Organizava, outrossim, bailes e festas comemorativas de aniversários da cidade, da Banda de Música 1º de Maio e de outras associações. Em festas domiciliares era sempre o colaborador indispensável; e chegou até a ser aplaudido, pela feitura e decoração de um belíssimo Bolo de Casamento.
Em determinada época foi eleito Prefeito do Município de Recreio: venceu políticos e imbatíveis adversários, venceu pelo seu espírito combativo, pelo seu valor e por suas amizades.
Não sendo político não tinha a Câmara para apoiá-lo e os seus adversários jamais permitiram qualquer reajuste de seus vencimentos "de dois cruzeiros por mês". Viveu de suas economias de seu trabalho. Para concluir.Miguel Andries sempre foi um defensor da Verdade e da Justiça. Como prefeito revelou sua profunda admiração a todo o povo e o município de Recreio. Construiu com a ajuda da população e os saldos bancários acumulados de festas, quermesses e outras fontes sem a formação de quaisquer associados, o Hospital São Sebastião. A família Andries os nossos sentidos pêsames.
Mauro de Almeida Pereira
(Artigo publicado no Jornal VOZ DA CIDADE em junho de 1994).

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

DAS TELAS DOS CINEMAS PARA A REALIDADE




Durango Kid


Alan Roky Lane


Armando Sérgio Mercadante

Segunda metade dos anos cinqüenta e início dos sessenta. Época de ouro do cinema em Recreio. Cine Eldorado e o Cine Sonho de Criança exibindo os seriados e os faroestes com nossos heróis. Época de colecionar capa de gibi e fotos catadas das tabuletas do cinema. Conseguir uma fotografia da tabuleta era um troféu invejado pelos colecionadores. Pedaços de fitas de filmes adquiridas com o operador da máquina de projeção e depois levada no Rubinho retratista para serem reproduzidas para serem coladas com grude, ou goma arábica, no caderno era um conquista invejável.

Nada mais emocionante do que uma luta entre o mocinho e o bandido. O cinema quase explodia. Batíamos com os pés no chão, assobiávamos e gritávamos desesperadamente. O mesmo acontecia quando o mocinho estava em poder dos bandidos amarrado numa cadeira e vinha chegando o xerife com seus companheiros para libertá-lo. Era uma emoção simplesmente indescritível. O cinema quase explodia.

Não gostava do Hopalong Cassid. Já Rocky Lane era duro na queda. Roy Rogers gostava mesmo era de cantar. Nunca entendi o porquê do título Rei dos Cowboys. Gostava mesmo era de cantar. Já o temível John Wayne triturava os adversários. Durango Kid era sensacional. Aldie Murphy (êta baixinho invocado) brigava magistralmente.

Das matinês saia nossa inspiração para a criação das quadrilhas. Tinha a quadrilha do alto da Igreja, da Rua Aragão, do Botafogo, da Campo Limpo e outros locais que não me lembro agora. O confronto entre duas quadrilhas era uma guerra ferrenha: pedradas, socos, tapas, arremessos com tiradeiras. O objetivo era sempre capturar o chefe da quadrilha. Na quadrilha do alto da Igreja a “chefa” era a Lereta (Denise Dutra). Boa de briga. A molecada tremia. Já pensou apanhar de menina!!!!!!!!?????

Cada quadrilha dominava seu território. Quando descobria algum intruso de outra quadrilha transitando em seu território a coisa ficava feia.

Um dia fui capturado pelo Reinaldo e Jorge Loçasso. Cismaram que eu era espião. Amarram minhas mãos e prepararam uma forca na parreira do quintal. Quando já estava nas pontas dos pés e o ar faltando, eis que chega dona Vanda que imediatamente exerceu com maestria sua autoridade materna libertando-me do enforcamento. Reinaldo e Jorge levaram uma bronca.

Minha quadrilha reunia-se atrás da Igreja Cristã. Lá traçávamos nossos planos e estratégias. Quando Dona Noemia chegava para limpar a Igreja a reunião encerrava. Era cebo nas canelas!

Certa vez o Robert Cunha (Dindinho), meu primo, vestiu-se de zorro e ousou penetrar no território do alto da Igreja. Foi uma perseguição digna de um faroeste dos tempos do Cine Sonho de Criança. Se não fosse a interferência de alguns pais o nosso zorro estaria fulminado! A turma da Lereta já tinha feito o cerco.

Bons tempos! Cinema, brincar de pique na rua, jogar as famosas peladas, precipício (proibido pela polícia), bilosca (bola de gude) e botão. Na Quarta-feira de cinzas, dormíamos mais cedo, de preferência na cama da mamãe, com medo da mula-sem-cabeça e do lobisomem. E o pior era que o Sr. Casa Nova morava na minha rua. Diziam que ele virava lobisomem.

Lembro-me com muita saudade do mês de maio. Mês das coroações. Nossa banda de música encantando-nos com seus dobrados. Fogos de artifícios explodindo nos céus. O frio, o cheiro de pólvora e do incenso que saía da igreja completava o cenário encantado onde transcorria nossa infância.

As Histórias do Tio Janjão, década de 50, programa infantil exibido pela Rádio Nacional duas vezes na semana às 17h30min horas, fazia um tremendo sucesso. Tio Janjão era interpretado pelo rádio-ator Alvaro Aguiar, conhecido galã. No cinema trabalhou nos filmes “Vidas solitárias”, “Asas do Brasil”, "O homem que passa”,” A inconveniência de ser esposa”, “O noivo de minha mulher”, "O dominó negro” e “Brumas da vida”. No teatro trabalhou com Bibi Ferreira na peça “Os amores de Sinhazinha”. Histórias do Tio Janjão foi apresentado primeiramente às Quartas-feiras, com apenas 15 minutos no horário da manhã. Na décima apresentação, eram tantos os pedidos, chegaram tantas cartas que a Direção Geral resolveu apresentá-lo duas vezes por semana. Quem não se lembra das estórias OS BRINQUEDOS ESQUECIDOS, O PORQUINHO FLAUTISTA, O RATINHO POETA E O MACACO QUE FOI REI POR UM DIA?

Recordo-me com saudades do Pé-Trocado, o nosso querido Tinuca. O apelido foi conseqüência de calçar os sapatos novos trocando os pés. Certa feita foi amarrado num poste da subida do morro da Igreja Cristã depois de levar uma surra da quadrilha da Aragão. Pé-Trocado ficou famoso ao cantar num programa de calouros num parque de diversões um grande sucesso do Miltinho: “Foi assim que a lâmpida apagou. E a vista escureceu(...)”.

Naquela época os valentões exigiam um lugar nas peladas ou então davam uma bicuda na bola. Dar uma bicuda na nossa bola era humilhante demais. Joirinho, irmão do Renan, constantemente exigia um lugar nas nossas peladas no campinho da Rua Campo Limpo. Ou então, bicuda na bola. Como era bom de briga, o jeito era deixá-lo jogar. Até que, para nossa alegria, Pé-Trocado deu-lhe uma tremenda surra. Virou nosso herói. Nunca mais o Joirinho apareceu por lá para exigir um lugar nas peladas.

O cinema fazia parte da nossa vida. E como fazia!



quinta-feira, 18 de outubro de 2007

II FESTIVAL DA POESIA DE RECREIO

A esquerda Armando Sérgio Mercadante recebendo o Certificado(abaixo) de Menção Honrosa das mãos do Prof.
Juarez em 18 de janeiro 1969 pela poesia Som-Humana-Técnica. Da direita para a esquerda Dr. Geraldo Damasceno, Sr. Dorigo, Maria Eugênia Magalhães, Dona Iris e Prof. Juarez.

Nos anos sessenta Recreio viveu um período rico em realizações culturais: Festivais da Canção, da Poesia,Encontro de Educadores, Semana Pedagógica, Semana da Família (1968), dentre outras.

3ª Semana da Família

Recreio – MG – 1968

Tema: “A família e o desenvolvimento”

Local: Prédio do Jardim da Infância Recreio Infantil

Horário: 20 horas

PROGRAMA

Dia 22 – Segunda : Abertura da Semana

“O Desenvolvimento dos Povos”. Pontos essenciais da doutrina social cristã na grande Encíclica do Papa Paulo VI apresentado pelo casal Itamar e Neide do MFC de Juiz de Fora. Debates.

Dia 23 – Terça: O problema da Família e o desenvolvimento: porque não existe um mundo familiar. Explanação ilustrada por um grupo de casais e um sacerdote.

Dia 24 – Quarta: A Família e a nossa comunidade hoje, pelo casal José e Diva Ferreira.

Dia 25 – Quinta: A Família e a nossa comunidade hoje, pelo casal Sandoval e Nely Lopes.

Dia 26 – Sexta: A educação como desenvolvimento da família, pelos professores Gilberto Peres de Oliveira e Maria Regina Albuquerque.

Dia 27 – Sábado: O diálogo da família e das famílias, pelo casal João e Lucy Malta.

Dia 28 – Domingo (9 horas): Missa da família, celebrada pelo Sr. Bispo Diocesano, D. Gerardo Ferreira Reis.

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Desenvolvimento é o novo nome da paz.


quarta-feira, 10 de outubro de 2007

INSCRIÇÕES QUE O TEMPO NÃO PODE APAGAR

Vista parcial do centro
de Recreio

Fotografia do antigo Barracão
recentemente descaracterizado pela
Vale do Rio Doce

Armando Sérgio Mercadante

“Desapareceu isso que antigamente permitia que se dissesse minha cidade, meu bairro? Homem de lugar nenhum serei alguém para mim mesmo?”

(AUZELE)



Podemos pensar nossa cidade com o coração onde locais, construções e acontecimentos possuem um valor sentimental. Podemos pensá-la também sob a ótica do urbanismo, que hoje em decorrência dos problemas enfrentados pelas grandes cidades ganha grande importância no cenário científico.

Temos que partir do postulado básico de que o homem precisa sentir-se bem em sua cidade. Não estou enfocando apenas a questão social como pobreza, desemprego e outras mazelas que engordam as estatísticas dos indicadores sociais de um país ou uma cidade e, confirmam a visão freudiana da impossibilidade da civilização. O meu enfoque principal é sobre os problemas urbanos que um prefeito de uma pequena cidade como Recreio pode resolver utilizando o pouco recurso disponível.

Robert AUZELE classifica os espaços urbanos da seguinte maneira: a) Espaços de –pressivos: os tristes, sujos, desertos, porque talvez a sua exploração não interessasse tanto aos seus possuidores; b) Espaços agressivos: caracterizados por ruas estreitas demais para uma multidão que necessita caminhar, ruas equipadas por um vasto aparelho de propaganda que agride os sentidos de várias maneiras, com anúncios luminosos alto-falantes e discos que as discotecas divulgam no maior volume. São os espaços também mais amplos onde os pedestres correm da agressão dos automóveis; c) Espaços de- preciativos: aqueles que se contrapõem ao valorativos, ou seja, enquanto habitar certo lugar confere prestígio, o mesmo não acontece com tantos outros que depreciam socialmente os seus moradores.

É bem verdade, que a classificação acima se aplica mais às grandes cidades. No entanto, podemos, por analogia, tirar boas lições e embasamento para uma ação responsável e planejada para uma cidade como Recreio.

Sabemos que o hábito de passear no jardim e na antiga rua do cinema deixou de existir em Recreio. Embora a televisão funcione como um imã prendendo as pessoas dentro de casa, é possível desmagnetizar esse poder e colocar o povo novamente na rua. Apenas um exemplo. Se tivéssemos uma banda de música apresentando-se pelo menos uma vez por semana, pessoas iriam assistir e, meu caro leitor, o efeito cascata poderia funcionar. O que precisamos é resgatar alguns valores do passado e torna-los presentes. Existem cidades do porte de Recreio que ainda acontecem serestas, retretas e outras atividades culturais.

O que percebo na minha terra é uma sensação de orfandade, talvez por falta dos líderes que outrora promoviam festas, eventos culturais e esportivos. O vazio deixado por essas pessoas ainda não foi preenchido. Esta é uma convicção que carrego dentro de mim e que me angustia.

Em 1968 Recreio experimentou um período rico em atividades culturais: festival da canção, da poesia, semana da família, semana das profissões, encontro de educadores, exposição de artesanato local, dentre outras. É só consultar exemplares do JR dessa época que os fatos estão lá.

Sabemos que são as idéias que movem o mundo. E idéias surgem de pessoas. Pequeri, cidade mineira do porte da nossa, tem o Festival da Canção que faz parte da agenda cultural das minas gerais.

Vi as réplicas do Rodin e experimentei um momento de felicidade. Quero outros. Quero a Banda de Música “cantando coisas de amor” nas ruas de Recreio. O nosso Coral dando seus recitais e, na época do Natal, entoando canções natalinas pelos principais pontos da cidade como acontece aqui em Juiz de Fora. Quero ver no palco da Associação Comercial ou no Centro Cultural, nosso grupo teatral esbanjando interpretação e o nosso grupo de danças fazendo sua exibição para a alegria da nossa gente.

Uma cidade com ruas limpas, arborizadas, praças bem cuidadas e planejadas dentro das normas técnicas do urbanismo humanístico, saneamento básico, calçadas conservadas tornam a cidade do homem um lugar gostoso e habitável.

Em algumas calçadas de Recreio ainda existem inscrições no piso que identificavam as casas comerciais: Casa Carcacena, Casa Nadinho, Bar Horiente, Padaria Recreio, Cartóri (o “o” já desapareceu), dentre outras. São inscrições que o tempo não pode apagar e nem serem substituídas por um piso novo. A História tem que ser preservada. Vai aqui uma sugestão para a Secretaria Municipal de Educação e Cultura: precisamos preservar o patrimônio histórico da nossa cidade.

Um dia escrevi que Nosso Senhor do Bonfim não conhece Recreio. Quando estava apreciando as réplicas das esculturas do Rodin vi um vulto parecido com ele ao lado das obras. Acho que finalmente ele acolheu Recreio em seus braços. Pelo amor de Deus, não me digam que foi ilusão de ótica!

No dia 29 de julho passado Deus chamou minha Tia e Madrinha Arlete. Tia Arlete sempre me recebia com alegria e um sorriso cativante que guardarei com muito carinho e saudade dentro do meu coração.